Aquecedor Solar de Baixo Custo
Lixo que gera energia
Com força de vontade e determinação de sobra, o eletromecânico aposentado José Alcino Alano, de Tubarão, criou uma fonte de energia solar alternativa, que além de reduzir custos na fatura de energia elétrica, tem o diferencial de ocupar material reciclável, como garrafas pet e caixas de leite longa vida. O projeto iniciado por José e sua esposa em 2002 foi aperfeiçoado, e as 100 garrafas pet utilizadas no primeiro aquecedor solar caseiro hoje chegam a mais de 1000 em coletores solares maiores.
Sem formação acadêmica, mas com muito empenho, o aposentado conta que na época da invenção começou a ler sobre o tema e pensar em algum modo de aproveitar a energia solar. Ele e sua família costumavam guardar as embalagens plásticas e o acúmulo foi inevitável. Então, surgiu a ideia para dar outro destino ao material.
Com entusiasmo, Alano comenta que além de aquecer a água do chuveiro, o coletor solar também é utilizado na pecuária – para a limpeza de galpões e para a higienização dos instrumentos utilizados na ordenha. Outra aplicação é no aquecimento de piscinas.
Ao falar sobre seu projeto, o aposentado ressalta a necessidade de todos ajudarem a cuidar do meio ambiente. “Lamento que as grandes invenções humanas tenham sido feitas em períodos de guerra, sob pressão. Tenho certeza que temos capacidade de desenvolver várias alternativas como esta, mas infelizmente a tecnologia ainda não está sendo aproveitada como deveria e a maioria das pessoas sabe da situação ambiental, mas faz pouco para mudar”.
Em 2004, o projeto de Alano ganhou reconhecimento público – a invenção recebeu o “Prêmio Superecologia”, da revista Superinteressante. Depois do sucesso do sistema, o projeto passou a contar com o apoio do governo. Em 2009, a Companhia Catarinense de Energia Elétrica (Celesc) fez um convênio de cooperação técnica para difundir os aquecedores solares produzidos com materiais descartáveis. Intitulado como “Energia do Futuro”, a iniciativa possibilita a reciclagem direta, sem qualquer processo industrial e pretende beneficiar comunidades carentes.
O idealizador do aquecedor ecológico conta que até agora, o sistema já favoreceu mais de seis mil famílias somente no Paraná. “Foram produzidos e instalados aquecedores em 254 dos 399 municípios paranaenses, retirando do meio ambiente mais de 2 milhões e 400 mil garrafas pet e caixas de leite”.
Alano comenta que em Santa Catarina, em torno de sete mil aquecedores foram instalados, e existem trinta e três projetos patrocinados pela Tractebel Energia SA., através do Comitê de Sustentabilidade, com a colaboração do Rotary Clube e da comunidade em geral.
De acordo com o engenheiro ambiental Sandro Urban, o aparato pode diminuir em mais de 30% o consumo de energia. “Enquanto essas garrafas vão para a terra e demoram 1000 anos para se decompor, fazendo parte do aquecedor solar elas deixam de agredir a natureza”. A única observação feita pelo engenheiro é o clima chuvoso, que pode diminuir a potência do coletor.
E, para quem ficou interessado em confeccionar seu próprio coletor caseiro, Alano indica as instruções no manual “Água quente para todos”. Com a “popularização” do projeto, a rotina do aposentado mudou. Hoje, ele e sua esposa passam a maior parte do tempo em viagens por todo o Brasil. O casal voluntário apresenta o aquecedor solar e mostra que com força de vontade é possível transformar até mesmo lixo em fonte de energia.
Manual- Aquecedor Solar. pdf

